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"Enquanto perguntava a mim mesmo o que significaria tal coisa, senti caírem de minha testa uma ou duas partículas. Erguendo a mão verifiquei que meus cabelos também haviam sido cobertos de pó. Meus gritos provocaram gritaria geral. Levantei-me para fugir, mas isso fora previsto e a única porta através da qual podia escapar encontrava-se fechada à chave. Cercado agora por um exército de inimigos femininos, esquivei-me e corri até me sentir quase exausto, tentando fugir aos incessantes ataques de amido e água. Finalmente protestei que se a desonesta guerra continuasse, eu deveria chegar e chegaria a um corpo a corpo e, "vi et armis", capturaria e utilizaria contra o inimigo a sua própria artilharia. Tais ameaças foram recebidas com novos ruídos de alegria e novos ataques. Finalmente todos concordaram com um armistício, que se prolongaria durante aquele dia. Contaram-me então que o entrudo começava no dia seguinte quando os membros de todas as classes, dentro ou fora das casas, empoeiram e borrifam uns aos outros, sendo habitual fazer um pouco disso no dia anterior à guisa de prefácio."

(Thomas Ewbank
A vida no Brasil)


EDIÇÕES ANTERIORES

Janeiro 1999 - nº 05:
Procissão dos Navegantes;  Folia de Reis;   Jacaré de Assombração; O trabalho e as cantigas das destaladeiras de fumo; O macaco e o rabo; Como Pedro Malasartes fez o urubu falar; Como era fabricada a cal; O pequeno jornaleiro; Os quintais de Belém; Cortesias e obrigações- As casas de pasto; Receitas com abóbora; Amuletos; Cantigas de roda;
Almanaque Laemmert; Folclore dos números; Oração para casar.

Dezembro 1998 - nº 04:
Pastorinhas e pastoris; A lenda do nascimento de Jesus; A tradição dos presépios; A peleja do cego Aderaldo com Zé Pretinho; A xácara do cego; A festa de Conceição da Praia; Caveira, quem te matou?; A experiência de Santa Luzia; Cabra-cega; O centenário de Luís da Câmara Cascudo; Os sinos no Brasil colonial.

Novembro 1998 - nº 03:
A Procissão dos Ossos; A morte na fala do povo; Poesias populares; Cantiga da rede; A visita da comadre Morte; Jangadeiros; Lavadeiras; Lobisomem e cumacanga; Casa brasileira; Portas da morte; Angu de fubá; Alimentação dos escravos; Crendices e superstições; Santos protetores; A brincadeira do morto vivo.

Outubro 1998 - nº 02:
Festa da Penha; Círio de Nazaré; Nau Catarineta; Patativa do Assaré; A lenda indígena da origem da mandioca; Quadrinhas cantadas por cegos; A lenda do joão-de-barro; Receitas com mandioca; Chazinhos, lambedouros, suadouros, garrafadas; Cantigas de roda; História acumulativa; Amarelinha; Trava-línguas.

Setembro 1998 - nº 01:
Frevo; As aventuras do pavão misterioso; A moura torta, A origem da noite; Saci-Pererê;  Receita de feijoada; A história do café, suas utilidades e terapêutica; Atirei o pau no gato; Pregões de vendedores ambulantes; Cadê o toucinho?

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Festas populares, religiosas e profanas; folguedos; danças; datas comemorativas;
Música regional; acalantos; literatura de cordel; contos; cantos de trabalho; poesia popular; desafios;
Lendas e mitos; personagens; fábulas;
O trabalho; tipos característicos; artesanato; ferramentas; instrumentos musicais;
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• Carnaval:
- O entrudo, na visão do viajante americano Thomas Ewbank
- Jean-Baptiste Debret descreve uma Cena de Carnaval.
- O Zé Pereira e outros personagens presentes no Carnaval carioca em 1868, por Joaquim José da França Júnior.

Festança:

- 2 de fevereiro: as oferendas e pedidos do povo de Salvador à Iemanjá. Um texto de Odorico Tavares.

Cancioneiro:

-
A arte do cantador cego Aderaldo, recolhida por Leonardo Mota.

Imaginário:
- O negrinho do pastoreio, um conto tradicional do folclore brasileiro.

Oficina:

- O canto dos carregadores. Os negros libertos, na cidade de Salvador, se reúniam e ficavam à espera de trabalhos, em vários pontos da cidade.

Palhoça:
-
As peculiaridades das casas de Recife; por Kidder e Fletcher.

Colher de Pau:

- Dez alimentos de terreiro, e seu modo de preparo.

Panacéia:

- Ôrai. Um texto de Luís da Câmara Cascudo sobre as horas do dia.

A arte e a vida de João Pacífico,  um dos maiores compositores da música brasileira, que morreu no último dia 30 de dezembro, aos 89 anos.

João Pacífico foi autor de quase 1.400 canções, entre elas os clássicos Cabocla Tereza, Pingo d'água e Chico Mulato. O cantador Adauto Santos compôs essa música em sua homenagem:

CABOCLO JOÃO
(Adauto Santos)

Tenho uma história pra contar pro ceis
De um caboclo que eu conheci
Seu nome é João, mas não é simplesmente um João
Lendo seus versos foi que eu percebi
Esse poeta é um tanto diferente
Contando prosa faz chorar e rir
Quando ele chega, quem está indo embora
Desiste logo, não quer mais partir

Seus lindos versos foram além do universo
Fez um império de poesias e canções
E ganhou beijos das estrelas e da lua,
Ganhou troféus de violas e violões
Os pingos d'água que caíram dos seus olhos
Deus lá do céu, emocionado abençoou
E o versinho no mourão lá da porteira
Viverá pra sempre, ele se imortalizou

Sua oração iluminou Chico Mulato
Salvou a alma desse grande cantadô
Que num momento de fraqueza, esse coitado
Tirou sua vida ao perdê seu grande amô
Dizem que ele já matou uma cabocla
Morena linda, que se chamava Tereza,
Pois na verdade o que ele mata mesmo,
É a dor do peito de quem tem muita tristeza

Hei João, hei João
Caboclo lindo feito a sua canção
Hei João, hei João
Pede a benção pra você todo sertão

Veja ainda em Almanaque: Anedotas; Pregão
Provérbios; No estradão; O bode na fala do povo; Uma seleção de músicas de carnaval
; Matutices: O Ditado


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