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Os vagalumes nos folguedos infantis

Ilustração de Marcos Jardim

Herrera, historiador das conquistas espanholas na América dá curiosa notícia, procedente do século XVI, sobre o costume de capturar vagalumes, com tições acesos, chamandos-os pelo nome.

Burmeister, que visitou o Brasil em 1850 e 1851, registrou o mesmo hábito em Nova Friburgo (RJ): De dia (os elaterídeos) escondem-se nos arbustos e de noite, voam ao redor das copas das árvores, por cima dos arbustos, chegando, de quando em vez, aos lugares abertos da vizinhanças, atraídos por outras luzes. Os meninos, por isso, costumam acender pequenos fogos para atraí-los."

Até hoje encontramos no Brasil grupos de crianças balançando tições acesos e cantando:


Vagalume, lume-lume
Seu pai tá lá
Sua mãe tá cá
Vem tocar viola
Pra nós dansá!


Cantigas semelhantes foram registradas em Minas Gerais. As seguintes provém de Santa Catarina:

Vagalume, cai, cai,
que teu pai lá vai,
c’um porrete na mão
te botar no chão...

Deixou tua mãe
apanhando pitanga;
tua mãe caiu
e teu pai não viu...

Vagalume, cai, cai!
Que teu pai já vai
Numa mula petiça
Vendendo lingüiça.
Teu pai caiu
Tua mãe não viu.


O senhor Dionísio A. Martins informou-nos que em Jaborandi, município de Barretos (SP), as crianças costumavam esticar o dedo polegar na direção do vagalume voando (com a intenção de que ele sentasse no dedo), cantando do seguinte modo:

Vagalume, vagalume,
Tem, tem!
Seu pai está aqui,
Sua mãe também!


A palavra tem-tem, segundo nosso informante, é o nome popular dado nessa região a qualquer espécie de pirilampo da família elateridae.

Em Conchal (SP) a cantiga é outra:


Vagalume tem-tem,
Vem cá, vem cá,
Que eu te dou vintém!


Em Presidente Prudente (SP), segundo relato da Professora Laura Della Monica, por volota de 1930 a 1940, as crianças brincavam muito com latinhas de conserva de tomates presas a um barbante e dentro das quais eram colocadas brasas acesas; com movimentos circulares no ar, agitava-se esse engenho para atrair os vagalumes cantando:

Vagalume, tec-tec
Sua mãe ‘tá ‘qui
Seu pai no brec!


A palavra "brec" nesta cantiga significa "brejo"; para rimar com o "tec".

No nordeste há também este costume, como consta do folheto de cordel As proezas de João Grilo, de João Martins de Ataíde:


- João, qual é o bicho
que passa pela campina,
a qualquer hora da noite,
andando de lamparina
"É um pequeno animal,
tem luz artificial,
Veja o que determina.

– Esse bicho eu já vi,
pois seu costume
de brincar sempre com ele;
minha mãe tinha ciúme.
Eu achava pelo campo:
uns chamavam pirilampo
e outros de vagalume!

(LENKO, Karol. Insetos nos folclore)


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