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Porque das mulheres, umas têm os peitos grandes e outras pequenos
Um homem tinha um cachorro (cão) de raça, muito bom. Quando ia às matas, se matava sacuê (galinha de angola) ou outro bicho, vinha trazer ao dono. E este já estava acostumado. Um dia que ele foi à caça com o seu cachorro, este matou uma sacuê e a trazia ao dono, quando uma mulher, muito grande e valente, de peitos tão grandes que caíam no chão e faziam um grande barulho quando ela andava, não só tomou e comeu o sacuê, como o cachorro. O dono cansou de chamar, o cachorro não veio. No dia seguinte, ele voltou ao mato e principiou a procurar o cachorro e a cantar: Avun-cê, mababú De repente, apareceu-lhe a tal mulher enorme, de peitos volumosos, que toda enfurecida e batendo com os pés no chão, cantou ameaçadora: Náná né die, paraiá (Que ela tinha o direito de comer tudo o que se mata; que tinha sido ela quem comeu a sacuê e o cachorro; que quem quisesse se aproximasse). " homem fugiu e foi contar o caso ao rei. O rei reuniu logo muitos homens e todos armados, seguiram para o mato, para ver a mulher de peitos enormes. Chegando lá, o homem pôs-se a cantar e assim que acabou apareceu de repente a mulher que lhe respondeu da mesma forma e todos deitaram a fugir. À vista disto, o rei mandou chamar homens de outra terras e com eles foi de novo procurar a mulher. Assim que o dono do cachorro acabou a sua cantiga, a mulher apareceu e logo que acabou de cantar todos correram outra vez. Então, as mulheres da terra disseram que, como os homens já tinham ido três vezes combater a mulher de peitos grandes, e tinham sido batidos e haviam corrido, desta vez iriam elas. Não quiseram saber de espadas, nem de armas, cada qual se apoderou de colher, de vassoura, de panela, etc. Quando a expedição chegou aos matos e o homem do cachorro cantou a sua cantiga, a mulher monstro apareceu. Caíram as mulheres sobre ela de colher, de vassoura, de panela e para logo a mataram. Então, cada qual tratou de apoderar-se de um pedaço do peito da mulher; as que puderam apanhar um pedaço grande tiveram os peitos muito grandes, as que só alcançaram um pedacinho, ficaram de peito pequeno, e é por isso que as mulheres não tem peitos do mesmo tamanho. (Ramos, Arthur. O folclore negro do Brasil) |
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