O nome João e outros nomes, na fauna, flora e folclore do Brasil
Além de corresponder a João-ninguém,
isto é, homem sem importância social, a expressão João-Fernandes é também
aplicada a uma dança sertaneja, o conhecido fandango.
VEGETAIS:
João-Correia: denominação paulista de certa árvore
tortuosa
João-da-Costa: (apocinácea, echis tes peltata)
também chamada capa-homem e paina-de-penas
João-Gomes: (portulacácea, talinum patens),
também conhecida por maria-gomes e mariangombe
João-mole: (nigtaginácea, pisonia tomentosa),
árvore, e flor de São João
ANIMAIS:
João-barbudo: (buconídeo, malacoptila striata),
ave
João-bobo: (buconídeo, nystalus chacuru),
ave também conhecida por fevereiro, dormião, joão-tolo e sucurâ
João-caçador: himenóptero do gênero pépsis
João-congo ou jocongo: (icterídeo, cacicus
haemorrhous), ave
João-ronguinho: (icterídeo, cacicus cela),
ave conhecida por xexéu, em Goiás
João-corta-pau: (carrimulgídeo, caprimulgue
rufus), ave
João-de-barro: (dendrocolaptídeo, furnarius
rufus), ave também chamada forneiro
João-de-cristo: (tordus poliocephalus),
vulgarmente conhecido em São Paulo por teque-teque
João-de-pau: (dendrocolaptídeo, phacelodomus
rufifrons), ave
João-doido: (buconídeo, monasa morpheus),
ave também conhecida por juiz-do-mato
João-do-mato: (buconídeo, notharcus Swainson),
ave
João-grande: (ardeídeo, árdea sacoi), ave,
cujo nome é aplicado às pessoas altas
João-guruçu: certo peixe marinho
João-magro: bicho-de-pau, inseto também conhecido
por gafanhoto-de-jurema e gafanhoto-de-marmeleiro
João-paraná: certo passarinho assim vulgarmente
chamado em São Paulo
João-pinto: (icterídeo, xhanthornus jacamai),
ave também chamada corrupião e sofrê
João-teneném: (dendrocolaptídeo, synallaxis
Spixi), ave também chamada bentererê, pixororê e joão-tiriri
João-torresmo: o mesmo que pão-de-galinha,
denominação vulgar da larva de certos besouros
João-velho: (picídeo, celeus flavescen),
ave
JOÃO-DEITADO:
O mesmo que cobu, nome vulgar em Minas Gerais, de
um biscoito de fubá, assado sobre pedaços de folhas de bananeira.
JOÃO-GALAMARTE:
(também jangalamarte e jangalamaste), denominações pernambucanas de brinquedo infantil
chamado burrica.
ANTROPÔNIMOS
APLICADOS A ANIMAIS
Joaninha designa um besourinho da família
dos coccinellídeos e um peixe da água doce da família dos cichlídeos, também chamado
jacundá ou nhacundá, michola (no Rio Grande do Sul), e guensa ou maria-guensa (em Mato
Grosso).
João-barbudo: ave da família dos bucconídeos
(malacoptila torquata), que se encontra na Bahia e em Santa Catarina. É parenta do
joão-bobo.
João-de-barro: ave da família dos dendrocolaptídeos
(furnarius rufus). É também conhecida pelos nomes de forneiro, oleiro ou pedreiro. No
Ceará é chamada de maria-de-barro; e em Mato Grosso, amassa-barro. Entrou no folclore,
como se pode ver da lenda dos caxinauás (R. von Ihering, 443)
João-bobo: ave da família dos bucconídeos. É
também chamada capitão-do-mato, xucuru e dormião; na Amazônia, macuru ou jucuru e
rapazinho-dos-velhos. Do nome típico existem as variantes jacuru, sucuru e xacuru.
João-congo (ou jocongo): É o pássaro icterídeo (cassicus
haemorrhus) vulgarmente conhecido por guache. Segundo, Cleomenes Campos, é
joão-conguinho, em Sergipe.
João-cortapau: Ave da família dos caprimulgídeos (caprimulgus
rufus). É parente do curiango ou noitibó.
João-grande: Grande garça da família dos ardeídeos
(ardea sorcoi), mais conhecida por socó, ao qual, e por maguari no Amazonas. No
Rio de Janeiro, também serve para designar o alcatraz, grande ave oceânica.
João-pinto: pássaro da família dos icterídeos (xanthornus
jamacai). É também conhecido por concriz, corrupião e sofrê (nome vulgar, que
José de Alencar alterou para sofrer)
João-pobre: é um passarinho que se encontra desde
Minas Gerais até o Rio Grande do Sul. Pertence à família dos tyrannídeos e
assemelha-se ao vulgarmente conhecido por alegrinho. Em Pernambuco (Vocabulário de P. da
Costa), é uma espécie de garça, habitante dos mangues e paludes.
João-tem-neném (ou joão-teneném): conhecido
também pelos nomes de bentererê, curutiês, piocororé e turucuê, é um pássaro da
família dos dendrocolaptideos. Distingüe-se pela feitura do ninho, que é comprido e
todo assegurado externamente por gravetos, donde o haver sido chamado castelo de ramos
secos.
João-torresmo: ou mais simplesmente torresmo,
denominações encontradas em Minas Gerais, bicho-gordo, coró e forreca, em outros
estados, eis como são conhecidas as larvas de besouros, nocivas à cana-de-açúcar, e
que são coleópteros da família dos scarabeídeos.
João-velho: também conhecido por
pica-pau-de-cabeça-amarela, é o celeus flavescens, que se encontra desde a
Bahia até o Rio Grande do Sul.
Manuel-de-abreu: "espécie vulgar de abelhas"
(Voc. Pern. Pereira da Costa)
Maria-de-barro: Correspondente ao joão-de-barro,
encontra-se aquela expressão no Ceará, conforme Francisco Dias da Rocha, em seu Boletim
do Museu Rocha (1908).
Maria-branca:
Passarinho pertencente à família dos tyrannídeos, quando é a taenioptera nengeta,
também lhe chamam pombinha-da-almas; e, quando é a taenioptera velata,
conhecem-na no nordeste pelo nome vulgar de lavandeira.
Maria-cavaleira: Tal é o nome que se dá no Amazonas
ao guaravaca ou irrê, existente também no sul do Brasil (assim como em toda a América
meridional), e que é o passarinho cientificamente conhecido por myarchus ferox,
da família dos tyrannídeos.
Maria-conga: segundo Cleómenes Campos, assim é
denominada em Sergipe "uma formiga enorme, negra e luzidia".
Maria-farinha: Hesitava-se em saber se essa expressão
designava em Pernambuco um pequeno caranguejo semelhante ao chamado chama-maré ou
espia-maré ou talvez o ocypode albicans (E. Ávila e Rodolfo Garcia). Mas R. von
Ihering inclinou-se, com razão, para o parecer de J. Gonçalves, segundo o qual
Maria-farinha é apenas a fêmea do guaiamu e cuja ova branca, como que pulverulenta,
muito de assemelha à farinha. Fêmea do caranguejo ucá-una. Pereira da Costa. Voc.
Pernambucano.
Maria-guenza: Nome dado em Mato Grosso ao peixe de
escama, geralmente chamado jacundá ou nhacundá.
Maria-já-é-dia: Simplificada, na Bahia, para
maria-é-dia, é a denominação onomatopaica da guaracava cientificamente conhecida por eaenea
flavogastra, da família dos tyrannídeos. Notabiliza-se pela construção do ninho,
tão bem disfarçado com musgos e liquens, que se torna difícil descobri-lo.
Maria-judia: denominação dada ao norte do Brasil ao
tico-tico, se não houver engano na informação de O. Monte, inserta no Almanaque
Agríciola Brasileiro, de 1926.
Maria-mole: é o peixe do mar, nebris micrope, da
família dos sciaenídeos, parente, portanto, da pescada e da corvina. Designa também, no
litoral do norte, socozinho ou socó-estudante do sul, isto é, a butorides striata,
ave pernalta da família dos ardeídeos. E ainda "árvore de grande porte, que
fornece boa madeira", segundo P. da Costa. Voc. Pernambucano.
Maria-nagô: assim é denominado na Bahia o peixe do
mar cientificamente conhecido por equetus lanceolatus. Provém o nome de
parecer-se o desenho do dito peixe com a tatuagem usada pelos africanos do grupo nagô.
Maria-preta: denominação dada tanto ao pássaro
preto (vira-bosta ou chopim), quanto ao knipolegus da família do tyrannídeos, existe no
Brasil meridional, um dos quais é o knipolegus comatus e o outro é o knipolegus
nigerrimus.
Maria-rendeira: é a expressão substantiva usada em
Sergipe, simplificada em rendeira e substituída por bilreira no Brasil setentrional.
Aplica-se a um passarinho da família dos piprídeos e do qual são parentes, em nosso
rio-mar o uirapuru e ao sul o barbudinho e o tangará. Cleômenes Campos deu a seguinte
explicação, oriunda do que ele pessoalmente observou: "Junto a um tanque, na
abóbada do arvoredo, reune-se um bando de dez a quinze marias-rendeiras, e, enquanto umas
sobem, outras descem, e todas elas acompanham estes saltos com estalidos, que correspondem
perfeitamente às pancadas dos bilros".
Maria-da-serra: é o mesmo pequeno peixe conhecido por
sarro, da família dos callichthyídeos. M. D. Ellis, em monografia consagrada às
espécies dessa família, menciona dois outros nomes vulgares do sarro: cascadira e
sopra-serra.
Maria-da-toca: assim é também chamado certo peixinho
do mar e da água doce, mais geralmente conhecido por muçurungo e pertencente à família
dos gorbiídeos. Aquela denominação provém de viverem comumente em pequenas tocas de
pedras onde houver água. Mas possuem muitos outros nomes vulgares, como aimoré, amboré,
amoré, amoréia, emboré, maiuíra, tajacica e cudunda, ao norte, babosa, e peixe-flor ou
florete, ao sul.
Marianinha: na opinião de Goeldi, é o mesmo
periquito-danta da Amazônia. R. von Ilhering acha tal nome impróprio, por se
tratar de um psittacídeo da sub-família dos pioníneos, "cujo corpo de
compara melhor a um papagaio menor e não a um periquito".
Mariquinha ou mariquina: corruptela de muriquina, a
seu turno aportuguesamento de buriqui ou mburiqui, nomes típicos do símio
cientificamente conhecido por eriodes arachnoides, vulgarmente chamado mono. O apelativo
mariquinha ainda é aplicado a um sagui do Brasil meridional, como ao macaco-da-noite de
Mato Grosso.
Mariquita: é dado tal nome a um peixe da família dos
serranídeos (dules auriga ou callidulus flaviventris). Aplica-se
também a um passarinho, ainda conhecido por cambacica e caga-sebo, existente em todo o
Brasil e afim aos sais, o qual é o coereba chloropyga, da família dos
coerebídeos.
Martim-cachá ou martim-cachaça e martim-grande:
nomes dados à espécie maior do martim-pescador.
Martim-pescador: conhecido por ariranha na Amazônia e
também por pica-peixe na linguagem vulgar de outros pontos do Brasil, é uma bela ave da
família dos alcedinídeos. Faz o ninho no barranco dos rios e dispõe de grande bico. O.
Monte, pelo Almanaque Agrícola Brasileiro, de 1926, deu a público a seguinte
curiosa observação, confirmada depois pelo sábio R. von Ihering: "Interessante
é o ardil empregado por esta ave, com o fim de atrair o peixe. Um dia, estive por muito
tempo apreciando o seu sistema engenhosíssimo. Pousada em um fio telegráfico, que
passava sobre uma lagoa, a ave de vez em quando dava um mergulho e trazia no bico um
peixinho. Para atrair o pescado, o martim-pescador fazia certa necessidade, que, caindo na
água, era logo motivo de ajuntamento, o qual então era aproveitado para a pescaria. E
isto por várias vezes".
Martim-taperê: esta expressão, assim como
martim-saperê e martim-pererê, é a mesma que produziu a do Amazonas, matinta-perera,
todas elas correspondentes ao saci do Brasil mericional. Todas elas são tidas na conta de
vozes onomatopaicas. Paulo cafôfo (José Vieira, 264)
Salta-martim: Designa um coleóptero da família dos
elaterídeos. A denominação provém da ciscunstância de que, estando o besouro deitado
de costas e não podendo facilmente virar o corpo, emprega o seguinte processo, referido
pelo doutor R. von Ihering: "dobra a cabeça para trás, a fim de formar um
ângulo obtuso com o resto do corpo, e, por um movimento brusco, comparável ao efeito de
uma mola, entesa o corpo, do que resulta saltar o besouro a uma altura por vezes
considerável. Auxilia além disso a manobra a ponta acuminada do protórax, que se
encaixa no mesotórax".
Sofia: É uma pescada ou corvina, conhecida por aquele
antropônimo do rio São Francisco. É um dos melhores e maiores peixes da água-doce,
notadamente o pachyurus francisci, que facilmente se multiplica em viveiros e açudes.
Acha-se destinado a uma das futuras riquezas da nossa piscicultura, quando esta receber o
necessário desenvolvimento.
Mãe-joana: é um dos vários nomes do celenterado
marinho, também chamado água-viva, alforreca, cansanção, chora-vinagre, caravela,
medusa e ponôn.
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ANTROPÔNIMOS SERVINDO
A NOMES DE PLANTAS
Aleixo: é certa lucuma da família das sapotáceas.
Amaro-leite: é a impomoea operculata da
família das concolculáceas. Produz resina drástica. É também conhecida pelos outros
nomes vulgares seguintes: batata-de-purga, jalapa-de-lisboa, jalapa-de-são-paulo e
purga-de-amaro-leite.
Ana-pinta: é a cayaponia globosa da família
das cucurbitáceas, ainda vulgarmente conhecida por purga-de-caiapó-de-são-paulo.
Chico-pires: é uma corruptela popular do nome típico
sucupira, bela árvore conhecida cientificamente por bowdichia virlioides e
pertencente à família das leguminosas.
Cipó-manuel-alves: nome usado em Alagoas para
designar a axantis fasciculata da família das rubiáceas.
Dom-bernardo: é a psychotria tetraphylla, da
família das rubiáceas, empregada na cura de defluxos, e cujo nome certamente provém de
certo frade que lhe haja descoberto a virtude terapêutica.
Gonçalo-alves: também conhecido pela denominação
de guarabu-rajado, é uma árvore alta e copada, cuja madeira se emprega em obras de luxo,
cientificamente chamada astronium fraxinifolium da família das anacardiáceas.
Joaninha: assim é chamada em São Paulo, certa
forragem campestre, boa e aromática.
João-correia: é uma árvore parecida com o
jequitibá e ainda conhecida pelas expressões vulgares de perobinha-do-campo ou
piuvinha-do-campo.
João-da-costa: é a cissampelos ovalifolia
da família das menispermáceas, também conhecida popularmente por orelha-de-onça, e que
é tida na conta de anti-ofídica afora outras virtudes medicinais.
João-do-puçá: Almeida Pinto, em seu Dicionário
de botânica brasileira (Rio de Janeiro, 1873), atribui essa expressão popular ao
Maranhão, onde é aplicada ao frutinho agreste de certo arbusto. Puçá é vocábulo
típico, significando uma pequena rede ou peneira de malhas para a pesca de moluscos e
crustáceos, e que passou depois a designar a borla de algodão com que no Ceará se
enfeitam as redes de dormir e até, em São Paulo, certa espécie de renda, para adorno de
vestidos. Note-se que existe uma planta indígena, a rawlfia bahiensis, da
família das apocnáceas, vulgarmente conhecida por puçazeiro ou casca-danta-brava.
João-gomes: apelativou-se essa expressão para
indigitar certa planta comestível, cuja denominação popular andou hesitante entre bredo
(que é uma amarantácea) e caruru (que é uma portulacácea). Fixou-se numa destas
últimas, o talinus patens. O citado Almeida Pinto registrou-lhe os seguintes
novos nomes: bredo-majorgomes, que é a mesma planta chamada maria-gomes no Maranhão;
caruru, no Pará; língua-de-vaca, em Sergipe, Bahia e Espírito Santo; benção-de-deus,
em São Paulo e Minas Gerais. Para o Rio de Janeiro, o visconde de Beaurepaire Rohan deu
assento, em seu Dicionário de vocábulos brasileiros (Rio de Janeiro, 1889), à
expressão aglutinada mariangombe.
João-mole: é a pisonia tomentosa, da
família das nyctagináceas. Distingüe-se por conter-lhe a madeira um pó irritante da
pele humana.
João-pais: foi, provavelmente, algum bandeirante que
descobriu o predicado terapêutico da cucurbitácea cientificamente conhecida por luffa
purgans, a qual, por isso, se tornou vulgar com os nomes de purga-de-joão-pais ou
bucha-de-paulista. Cumpre não confundir esse drástico com a chamada purga-dos-paulistas,
extraída co andá-açu (joannesia princeps, da família das eurobiáceas).
Manuel-gonçalves: "árvore de boa madeira
para marcenaria e construção" (Vocab. Pern. de Pereira da Costa).
Maria-da-costa: também vulgarmente conhecida por
erva-da-costa, é a planta, simultaneamente ornamental e tóxica, cientificamente chamada araujia
multiflora, da família das asclepiadáceas.
Maria-gomes: é o mesmo que talinum patens da
família das portulacáceas, que já deixamos mencionado sob o nome de joão-gomes. Em seu
excelente Dicionário de vocábulos brasileiros, registrou-lhe Beaurepaire Rohan as
variantes manjangome e mariangombe. Além dessas, acham-se duas outras, ambas oxítonas, na
Pequena contribuição para um dicionário das plantas úteis do estado de São Paulo
de Huáscar Pereira: mariangombé e mariangombi, esta aplicada a uma variedade do referido
subarbusto hortense, a chamada maria-gomes-de-flor-amarela.
Maria-leite: é também vulgarmente conhecida por
erva-de-cobra e herva-de-santa-luzia, cujo nome científico é euphorbia brasiliensis,
pois que não passa de um subarbusto da família das euforbiáceas. A segunda
denominação popular provém da crença de curar mordedura de cobra, ao passo que a
terceira procede de causar cegueira o suco de suas folhas, quando aplicado em doses altas.
Maria-mole: é a pisonia inermis da família
das nyctagináceas. Fornece cinzas aos fabricantes de sabão e a sua denominação vulgar
justifica-se pelo próprio qualificativo da científica.
Maria-pereira:
é a posoqueria macropus da família das rubiáceas. Arbusto rijo, fornece
madeira para bengalas e pequena marcenaria. Beaurepaire Rohan, entretanto, assegura que é
o nome dado no Paraná ao umbuzeiro.
Maria-pires: acha-se no Dicionário de botânica
brasileira de Almeida Pinto, que manda ver rabo-de-timbu, sem, todavia, inserir esta
última expressão.
Maria-preta: com esta denominação vulgar, existem
duas plantas de família diversas: uma é a cordia curassavica, da família das
borragináceas, também conhecida por balieira-preta, camará-japó e pau-preto; a outra
é o eupatorium ballootaefolium, da família das compostas. A primeira tem aroma,
em toda a planta, ao passo que na segunda só é aromática a entrecasca. Há ainda quatro
novas expressões: maria-preta-da-campina (vitex nigrum, verbenácea), assim
batizada em Alagoas, mas conhecida por pau-cavalo em Sergipe e Pernambuco, onde às vezes
a tratam por salgueiro; a maria-preta da capoeira, também chamada rompe-gibão, na terra
alagoana, e que é a mesma língua-de-sapo de Sergipe; a maria-preta-da-mata,
denominação dada em Alagoas à mesma planta indígena conhecida por baraúna ou braúna,
graúna ou guaraúna, e que é a leguminosa cientificamente crismada por melaonilon
braúna; e, finalmente, a maria-preta-de-pernambuco, subarbusto da família das
cordiáceas.
Maria-rosa: é a palmeira classificada por Glaziou
como cocos procopiana, em memória de Mariano Procópio Ferreira Lage, em cujas
terras a encontrou o ilustre fitologista francês, tão amigo da nossa pátria.
Mariana: Almeida Pinto não tem certeza de ser essa
planta o ancotinus cauliflorus da família das solanáceas, limitando-se, do
mesmo jeito que Huáscar Pereira, a assegurar que ela é, no uso medicinal como no
industrial, sucedânea da saponária (também vulgarmente conhecida por pau-de-sabão,
sabão-de-soldado e saboeira).
Marianica: é o nome vulgar da nossa planta indígena
e anti-helmíntica, chamada pelos tupis caperiçoba, e cuja etiqueta científica é choenopodium
hircinum, pois pertence à família das quenopodiáceas.
Marianinha: no Pará, Maranhão e Bahia, assim é
vulgarmente conhecida a trapoeraba, isto é, a tradescantia diuretica, da
família das comelináceas. Há ainda uma certa marianinha-de-folha-larga, que parece ser
a mesma planta também vulgarmente chamada marinheiro-de-folha-larga.
Pai-caetano: a erva-do-pai-caetano, também chamada
chá-do-brasil e aplicada a inúmeras moléstias, é a verbena litoralis da
família das verbenáceas.
Sebastião-de-arruda: também conhecido pelas
denominações vulgares de pau-cravo e pau-rosa, é cientificamente conhecido por physocalyma
scaberrimum e pertence à família das litráceas.

AVES E ANIMAIS DE
IMPORTÂNCIA FOLCLÓRICA
Xexéu:
o japim, da família dos icterídeos (cassicus cella), mais conhecido ao norte
por xexéu, pertence ao nosso populário, como se pode ver das lendas a que deram assento
Barbosa Rodrigues, Poranduba amazonense (p. 202), e J. Coutinho de Oliveira, Lendas
amazônicas (p. 123). É de cor preta a sua plumagem, de sorte que a expressão
xexéu-branco é empregada pelos escritores patrícios no sentido de avis rara, como se
depreende da página 210 de Os moluscos de Policarpo Feitosa.
Guariba:
este bugio, também chamado carajá e barbado, pertencente ao gênero alouatta (do qual
há no Brasil cinco espécies), tem o nome da epígrafe ligado a uma doença e a uma flor.
Como afirma Pedro Pinto, à página 56 de seu excelente trabalho Termos médicos
populares (Rio de Janeiro, 1943), tosse-de-guariba é como se designa no Pará a
coqueluche, acrescentando o erudito filólogo que "já houve, nas drogarias do
norte, um preparo contra a coqueluche, dito guaribina". Em seu romance,
provavelmente à clef e seguramente o primeiro que versa sobre pessoas e
coisas do território do Acre, A represa (Rio de Janeiro, 1942), Océlio de
Medeiros dá como corrente ali aquela mesma expressão concernente à tosse convulsiva (p.
158), tendo mencionado antes (p. 147), que uma das raras espécies de orquídeas da
Amazônia é chamada ali gogó-de-guariba.
João-da-cruz: dinheiro (Voc. Pernambucano).
João-galafur: duende marinho.
João-galamaste (Galamarte em Beaurepaire Rohan):
gangorra, arrebunho, barrica e zangaburrinho em Portugal e no Brasil (Voc. Pernambucano).
(Basílio de Magalhães. In LIRA, Mariza. Estudos de folclore
luso-brasileiro)

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