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Almanaque: Nesta seção, textos sobre variedades; frases de pára-choques de caminhões; passatempos; provérbios; curiosidades; pregões de ambulantes; causos; anedotas; folclore de botequim; latrinália; escritos em papel-moeda; anedotas; charadas...

setaquad.gif (95 bytes)Edição especial em homenagem ao dia da Música e do Músico. Com as letras das seguintes músicas:
-
Acertei no milhar
- Ai que saudades da Amélia
- Alô, alô
- Amigo urso
- Aquarela do Brasil
- As rosas não falam
- Asa Branca
- Barracão
- Batuque na cozinha
- Boneca de pano
- Boogie-woogie na favela
- Brasil pandeiro
- Carinhoso
- Chalana
- Chuá-Chuá
- Conversa de botequim
- Cuitelinho
- De papo pro à
- Faceira
- Luar do sertão
- Lulu de madame
- Mágoa de boiadeiro
- Marvada pinga
- Moda da mula preta
- Mulata assanhada
- Na virada da montanha
- No rancho fundo
- Onde o céu azul é mais azul
- Os quindins de Iaiá
- Pelo telefone
- Saudosa maloca
- Tristeza de jeca
- Uirapuru
- Um gago apaixonado
- Você já foi à Bahia?
música brasileira é muito rica, uma diversidade enorme de sons e de ritmos. No dia 22 de novembro comemora-se o dia da música e do músico. O Almanaque Jangada Brasil presta uma homenagem a este dia trazendo uma seleção de grandes clássicos da música popular brasileira.


Pixinguinha


 
Pixinguinha/ João de Barro

Meu coração
Não sei por que
Bate feliz
Quando te vê
E os meus olhos ficam sorrindo
E pelas ruas vão te seguindo
Mas mesmo assim
Foges de mim

Ah! Se tu soubesses
como eu sou tão carinhoso
E o muito e muito que eu te quero
E como é sincero o meu amor
Eu sei que tu não fugirias
mais de mim

Vem, vem, vem, vem, vem,
sentir o calor
Dos lábios meus
A procura dos teus
Vem matar esta paixão
Que me devora o coração
E só assim então
Serei feliz
Bem feliz

 

almmusalo.gif (598 bytes)
André Filho

Alô, alô, responde
Se gostas mesmo de mim de verdade
Alô, alô, responde
Responde com toda a sinceridade

Alô, alô, responde...

Tu não respondes
Que o meu coração em lágrimas
Desesperado vai dizendo:
Alô, Alô

Ai, seu eu tivesse
a certeza deste amor
A minha vida
Seria um rosal em flor
Responde então

Alô, alô, responde
Responde com toda a sinceridade
Alô, alô, responde
Se gostas de mim de verdade

Alô, alô, responde...

Alô, alô
Continuas a não responder
E o telefone
Cada vez chamando mais

É sempre assim
Não consigo ligação, meu bem
Indiferente, não te importas
Com meus ais!

Alô, alô, responde
Responde com toda a sinceridade
Alô, alô, responde
Se gostas de mim de verdade

Alô, alô, responde...

 


folclore recolhido por Paulo Vanzolini e Antônio Xandó

Cheguei na beira do porto
Onde as ondas se espáia
As garça dá meia volta
E senta na beira da praia
E o cuitelinho não gosta
Que o botão de rosa caia,
ai, ai, ai

Ai, quando eu vim de minha terra
Despedi da parentaia
Eu entrei no Mato Grosso
Dei em terras paraguaia
Lá tinha revolução
Enfrentei fortes bataia,
ai, ai, ai

A tua saudade corta
Como aço de navaia
O coração fica aflito
Bate uma, outra faia
Os óios se enche d’água
Que até a vista se atrapaia,
ai, ai, ai.

 


   Laureano

Com a marvada pinga
É que eu me atrapaio
Eu entro na venda
E já dou meu taio
Pego no copo
E dali num saio
Ali mesmo eu bebo
Ali mesmo eu caio
Só prá carregá
É que dou trabaio, ôi lá!

Venho da cidade cantando
Trago um garrafão
Que venho chupando
Venho pros caminhos
Venho tropicando
Chifrando os barranco
Venho cambetiando
E no lugar onde eu caio
Já fico roncando, ôi, lá!

O marido me disse:
Ele me falô
Largue de bebê
Peço por favô prosa de hôme
Nunca dê valô
Bebo com o sol quente
Prá esfriar o calô
E bêbo de noite
É pra fazê suadô, oi lá!

Cada vez que eu caio
Caio deferente
Meaço prá trás
E caio prá frente
Caio devagá
Caio de repente
Vou de corropio
Vou diretamente
Mas sendo de pinga
Eu caio contente, ôi lá!

Pego o garrafão
E já balanceio
Que é prá mode vê
Se está mesmo cheio
Num bebo de vez
Porque acho feio
No primeiro gorpe
Chego inté no meio
No segundo trago
É que disvaseio, oi lá!

Eu bebo da pinga
Por gosto dela
Eu bebo da pinga branca
Bebo da amarela
Bebo nos copos
Bebo na tigela
Bebo temperada
Com cravo e canela
Seja quarquer tempo
Vai pinga na goela! Ôi lá!

(é marvada pinga)
Eu fui numa festa no rio Tietê
Eu lá fui chegando no amanhecê
Já me déro pinga prá mim bebê
Já me déro pinga prá mim bebê
Tava sem fervê!
Eu bebi demais
E fiquei mamada
Eu cai no chão
E fiquei deitada
Ai, eu fui prá casa
De braço dado
Ai! De braço dado
E com dois sordado!
Ai, muito obrigado!


   Ari Barroso

Brasil
Meu Brasil brasileiro
Meu mulato inzoneiro
Vou cantar-te nos meus versos
O Brasil, samba que dá
Bamboleio que faz gingar
O Brasil do meu amor
Terra de Nosso Senhor
Brasil, Brasil
Pra mim, pra mim

Oi, abre a cortina do passado
Tira a mãe preta do cerrado
Bota o rei congo no congado
Brasil, Brasil
Deixa cantar de novo o trovador
A merencória luz da lua
Toda a canção do meu amor
Quero ver essa dona caminhando
Pelos salões arrastando
O seu vestido rendado
Brasil, pra mim, pra mim, pra mim

Brasil, terra boa e gostosa
Da morena sestrosa
De olhar indiscreto
O Brasil, samba que dá
Bamboleio que faz gingar
O Brasil do meu amor
Terra de Nosso Senhor
Brasil, pra mim, pra mim, pra mim

Esse coqueiro que dá coco
Onde eu amarro a minha rede
Nas noites claras de luar
Brasil, pra mim
Ah, ouve essas fontes murmurantes
Aonde eu mato a minha sede
E onde a lua vem brincar
Oi, este Brasil lindo e trigueiro
É o meu Brasil brasileiro
Terra de samba e pandeiro
Brasil, pra mim, pra mim, Brasil
Brasil, pra mim, pra mim, Brasil
Brasil, pra mim, pra mim

 


   Ataulfo Alves

Ô, mulata assanhada
Que passa com graça
Fazendo pirraça
Fingindo inocente
Tirando o sossego da gente

Ô, mulata assanhada...

Ai, mulata se eu pudesse,
E se o meu dinheiro desse,
Eu te dava sem pensar,
Esta terra, este céu, este mar
E ela finge que não sabe,
Que tem feitiço no olhar

Ô, mulata assanhada...

Ai, meu Deus, que bom seria
Se voltasse a escravidão
Eu comprava esta mulata
E levava pro meu barracão
E depois a pretoria
É que resolvia a questão

Ô, mulata assanhada...

Jacob do Bandolim


  Ari Barroso/ Lamartine Babo

No rancho fundo
Bem prá lá do fim do mundo
Onde a dor e a saudade
Contam coisas da cidade.

No rancho fundo
De olhar triste e profundo
Um moreno canta as mágoa
Tendo os olhos rasos d’água..

Pobre moreno
Que de noite no sereno
Espera a lua no terreiro
Tendo o cigarro como companheiro

Sem um aceno
Ele pega na viola
E a lua por esmola
Vem pro quintal desse moreno

No rancho fundo
Bem prá lá do fim mundo
Nunca mais ouve alegria
Nem de noite nem de dia!

Os arvoredos
Já não contam mais segredos
E a última palmeira
Já morreu na cordilheira!

Os passarinhos
Internararam-se nos ninhos
De tão triste esta tristeza
Enche de trevas a natureza!

Tudo porque
Só por causa do moreno
Que era grande hoje é pequeno
Para uma casa de sapé

Se Deus soubesse
Da tristeza lá na serra
Mandaria lá pra cima
Todo amor que há na terra...

Porque o moreno
Vive louco de saudade
Só por causa do veneno
Das mulheres da cidade

Ele que era
O cantor da primavera
Que até fez o rancho fundo
O céu melhor que tem no mundo

Se uma flor
Desabrocha e o sol queima
A montanha vai gelando
Lembrando o aroma da cabrocha.


   Dorival Caymmi

Você já foi à Bahia, nega?
Não?
Então vá!
Quem vai ao Bonfim, minha nega
Nunca mais quer voltar
Muita sorte tem
Muita sorte terá
Você já foi à Bahia, nega?
Não?
Então vá!

Lá tem vatapá
Então vá!
Lá tem caruru
Então vá!
La tem munguzá
Então vá!
Se quiser sambar
Então vá!

Nas sacadas dos sobrados
Da velha São Salvador
Há lembranças das donzelas
Do tempo do imperador
Tudo, tudo na Bahia
Faz a gente querer bem
A Bahia tem um jeito
Que nenhuma terra tem

Você já foi à Bahia, nega?...

Lá tem vatapá...


  Ary Barroso

Os quindins de Iaiá
Cumé, cumé, cumé
Os quindins de Iaiá
Cumé, cumé, cumé
Os quindins de Iaiá
Cumé, cumé que faz chorar

Os oinho de Iaiá
Cumé, cumé, cumé
Os oinho de Iaiá
Cumé, cumé, cumé
Os oinho de Iaiá
Cumé, cumé que faz penar

O jeitão de Iaiá
Me dá, me dá uma dor
Me dá, me dá que eu não sei
Se é, se é
Se é ou não amor

Só sei que Iaiá
Tem uma coisa
Que as outra Iaiá não tem

Os quindins de Iaiá
Os quindins de Iaiá
Os quindins de Iaiá
Os quindins de Iaiá

Tem tanta coisa de valor
Neste mundo de Nosso Senhor
Tem a flor da meia-noite
Escondida nos canteiros
Tem música e beleza
Na voz dos boiadeiros
A prata da lua cheia
O leque dos coqueiros
O sorriso das crianças
A toada dos barqueiros
Mas, juro por Virgem Maria
Que nada disso pode matar
Os quindins de Iaiá

Os quindins de Iaiá

Os oinho de Iaiá...

O jeitão de Iaiá...

Só sei que Iaiá tem...

Os quindim de Iaiá...


   Luiz Gonzaga/ Humberto Teixeira

Quando olhei a terra ardendo
Qual fogueira de São João
Eu perguntei a Deus do céu, ai
Por que tamanha judiação?

Que braseiro, que fornalha
Nem um pé de prantação
Por falta d’água perdi meu gado
Morreu de sede meu alazão

Inté mesmo a Asa Branca
Bateu asas do sertão
Entonce eu disse: adeus, Rosinha
Guarda contigo meu coração.

Hoje longe muitas légua
Uma triste solidão
Espero a chuva cair de novo
Pra mim vortá pro meu sertão

Quando o verde dos teus óios
Se espaiá na prantação
Eu te asseguro
Não chore não, viu
Que eu voltarei, viu, meu coração

 


   Mário Zan/ Arlindo Pinto

Lá vai a chalana
Bem longe se vai
Navegando no remanso
Do rio Paraguai

Oh, Chalana, sem querer,
Tu aumentas minha dor
Nestas águas tão serenas,
Vai levando o meu amor.

Oh, Chalana, sem querer,
Tu aumentas a minha dor.
Nestas águas tão serenas,
Vai levando o meu amor.

E, assim ela se foi.
Nem de mim se despediu,
A chalana vai sumindo,
Na curva lá do rio.
E, se ela vai magoada,
Eu bem sei que tem razão.
Fui ingrato e feri
O seu meigo coração.

 


   Angelino de Oliveira

Neste versos tão singelos
Minha bela, meu amor
Pra você quero contar
O meu sofrer, a minha dor

Eu sou como o sabiá
Que quando canta é só tristeza
Desde o galho onde ele está
Nesta viola eu canto e gemo de verdade
Cada toada representa uma saudade

Eu nasci naquela serra
Num ranchinho à beira chão
Todo cheio de buraco
Aonde a lua faz clarão
E quando chega a madrugada
Lá no mato a passarada
Principia o barulhão
Nesta viola eu canto e gemo de verdade
Cada toada representa uma saudade

Lá no mato tudo é triste
Desd’o jeito de falar
Quando riscam na viola
Dá vontade de chorar
Não tem um que cante alegre
Tudo vive padecendo
Cantando pra se aliviar
Nesta viola eu canto e gemo de verdade
Cada toada representa uma saudade

Vou parar co’a minha viola
Já não posso mais cantar
Pois o jeca quando canta
Tem vontade de chorar
E o choro que vai caindo
Devagar vai-se sumindo
Como às água vai pro mar.

 


  Cartola

Bate outra vez
Com esperanças o meu coração
Pois já vai terminando o verão
Enfim
Volto ao jardim
Com a certeza que devo chorar
Pois bem sei que não queres voltar
Para mim
Queixo-me às rosas
Ah! Que bobagem
As rosas não falam
Simplesmente as rosas exalam
O perfume que roubam de ti
Devias vir
Para ver os meus olhos tristonhos
E quem sabe sonhava os meus sonhos
Por fim

Cartola


  Assis Valente

Boneca de pano
Gingando num cabaré
Poderia ser bonequinha de louça
Tão moça, mas não é
Poderia ser bonequinha de louça
Tão moça, mas não é

Um dia, alguém a chamou de boneca
E ela, sendo mulher, acreditou
O tempo foi passando
E ela se desmanchando
Hoje quem olha pra ela não diz quem é

Em vez de boneca de louça
Hoje é boneca de pano
De um sombrio cabaré

Boneca de pano...

Em vez de boneca de louça
Hoje é boneca de pano
De um sombrio cabaré

 

   
Noel Rosa

Mu-mu-mulher
Em mim fi-fizeste um estrago
Eu de nervoso
Esto-tou fi-ficando gago
Não po-posso com a cru-crueladade
Da saudade
Que que mal-maldade
Vi-vivo sem afago
Tem tem pe-pena
Deste mo-mo-moribundo
Que que já virou
Va-va-va-va-ga-ga-gabundo
Só-só-só-só
Por ter so-so-fri-frido
Tu-tu-tu-tu-tu-tu-tu-tu
Tu tens um co-coração fi-fi-fingido

Mu-mu-mulher...

Teu-teu co-coração
Me entregaste
De-de-pois-pois de mim
Tu to-to-toma-maste
Tu-tua falsi-si-sidade
É profu-fu-funda
Tu-tu-tu-tu-tu-tu-tu-tu
Tu vais fi-fi-ficar corcunda

 


   Lamartine Babo/Ari Barroso

A saudade vem chegando
A tristeza me acompanha!
Só porque... só porque...
O meu amor morreu
na virada da montanha
O meu amor morreu
na virada da montanha

E quem passa na cidade
Vê no alto
A casa de sapé
Ainda...
A trepadeira no carramanchão
Amor-perfeito pelo chão
Em quantidade

A saudade vem chegando
A tristeza me acompanha!
Só porque... só porque...
O meu amor morreu
na virada da montanha
O meu amor morreu
na virada da montanha

Pobre casa abandonada
Além
No alto
Sozinha sem ter lá ninguém
Caindo velhinha ao ver
os prédios da cidade
Ó velha casa,
Sombra eterna da saudade

Anúncio da Revista Careta, de maio de 1937

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