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          MADEIRAS DA PROVÍNCIA DO RIO DE JANEIRO
NA SEGUNDA METADE DO SÉCULO XIX
Mais de uma vez assinalamos as magníficas espécies florestais desperdiçadas no Brasil. Não é, pois, inútil indicar aqui as madeiras mais estimadas da província do Rio de Janeiro. Quase todos os nomes, da língua indígena, mudam conforme os municípios. As alterações são numerosas de um distrito a outro. Nada podemos garantir.

Matança    (Jatobá)

Cipó caboclo tá subindo na virola
Chegou a hora do pinheiro balançar
Sentir o cheiro do mato da imburana
Descansar morrer de sono na sombra da barriguda

De nada vale tanto esforço do meu canto
Pra nosso espanto tanta mata haja vão matar
Tal mata Atlântica e a próxima Amazônica
Arvoredos seculares impossível replantar

Que triste sina teve cedro nosso primo
Desde  menino que eu nem gosto de falar
Depois de tanto sofrimento seu destino
Virou tamborete mesa cadeira balcão de bar

Quem pra acaso ouviu falar da sucupira
Parece até mentira que o jacarandá
Antes de virar poltrona porta armário
Mora no dicionário vida eterna milenar

Quem hoje é vivo corre perigo
E os inimigos do verde da sombra o ar
Que se respira e a clorofila
Das matas virgens destruídas é bom lembrar

Que quando chegar a hora
É certo que não demora
Não chame Nossa Senhora
Só quem pode nos salvar é

Caviúna, cerejeira, baraúna
Imbuia, pau-d'arco, solva
Juazeiro e jatobá
Gonçalo-alves, paraíba, itaúba
Louro, ipê, paracaúba
Peroba, maçaranduba
Carvalho, mogno, canela, imbuzeiro
Catuaba, janaúba, aroeira, araribá
Pau-ferro, anjico, amargoso, gameleira
Andiroba, copaíba, pau-brasil, jequitibá

Pau-brasil: Apreciado pelas suas cores. Serve para a tinturaria.
Vinhático: Madeira amarela muito procurada para obras de talha. Flor de algodão e cabeça de boi.
Cedro: Estimada pelos entalhadores e marceneiros. Vermelho, claro e pardo.
Pimenta: Usada na carpintaria. Quase preta e avermelhada.
Cacunda: Esta possui a grande vantagem de não se contrair nem se empenar, o que a torna própria para uma porção de coisas, como postigos, tabuados de navios, etc. A cor é amarela ou preta. As madeiras de cor amarela são muito estimadas em marcenaria. A cacunda não engrossa tanto como a peroba, porém atinge a mesma altura.
Canela
: Distinguem-se quatro espécies: a tassinua, a preta, a amarela e a canela fétida. Servem todas para carpintaria e são muito empregadas nas diversas necessidades do estaleiro.

Peroba:  Madeira muito estimada para a construção de navio. Preferível talvez ao pinheiro. Altura prodigiosa que vai de 30 a 40 metros, medidos do chão aos primeiros galhos. No cimo tem, como diadema, uma espécie de ramalhete. Nas matas do senhor Manuel Francisco Simões (sertão de Cacimbas), vê-se uma dessas árvores, que não tem menos de dez metros de circunferência, cuja altura está na mesma proporção. Há três espécies de perobas, que, mais ou menos, se equivalem e só se distinguem pela cor: preta, amarela, quase branca.
Peroba vermelha: Variedade das precedentes, diferente delas, porque em vez de ser retos como as outras, os linhosos destra espécie curvam-se, crescendo. Esta propriedade faz com que sejam procuradas para certas partes da construção de navios. Em Campos, a peroba vermelha é conhecida pelo nome de sobro.
Grapiapunha: Madeira pesada e belíssima, semelhante à peroba. É também empregada nos navios, particularmente na quilha. Serve ainda na construção de carros, como excelentes raios de rodas. A cor desta madeira é amarela.
Jacarandá: Empregado na marcenaria, como o nosso palixandre. Variedade escuro, avermelhado e o cabiúna, superior aos outros.
Ipê: Madeira que pode substituir o guaiaco. Usada em peças mecânicas. Vermelho, preto, cor de tabaco e cor de carne.
Sapucaíba: Madeira de carpintaria. Dá um fruto saboroso.
Grama: Conserva-se bem na terra e serve para o fabrico de tinta preta. Encontra-se preta e avermelhada.

Tapinhoã: Madeira amarelada, de muito peso, apreciada na construção naval.
Araribá: Excelente madeira usada nas carpintarias e marcenarias. Não excede em grossura a oitenta centímetros. Vermelha e branca.
Louro: Para os entalhadores e o fabrico de remos. Pardo escuro e pardo claro.
Cerejeira: Para a construção de canoas. Vermelha e branca.
Óleo vermelho: Linda madeira de marcenaria. Bastante dura. Preferível ao acaju. Serve também para liteira e eixos de carros. Dá uma espécie de resina, da qual se extrai excelente bálsamo para dores e feridas. Vermelho claro e vermelho escuro.
Copaíba: Madeira que produz o óleo de copaíba.
Óleo pardo: Madeira de carpintaria muito prezada em Portugal., semelhante à nogueira, porém muito mais dura.
Jataí: Empregada em diversos trabalhos.
Sucupira: Procurada na construção naval e para eixos de carros.
Bicuíba: Boa para obras de carpintaria, entalhador e marcenaria. Vermelho e cor de rosa.
Pau-ferro: Mesmas cores e propriedades.
Graubú: Madeira de exportação. Serve para a marcenaria.
Piquiá: De duas cores: amarela, que imita o buxo, e branca, que imita o marfim.
Grumarim: O mesmo que o piquiá, quanto à cor, porém mais dura.
Imbira: Madeira de cuja fibra se trançam cordas.
Gurarema: As cinzas desta madeira servem para refinar o açúcar em razão da grande quantidade de potassa que encerram. Abarema, algodão, pitomba preta e amarela têm as mesmas propriedades.
Rochina ou Gurubu: Semelhante à madeira conhecida em França pelo nome de amaranto.
Tatajuba: De um lindíssimo amarelo. Dá uma tintura da mesma cor.

Conheça outras  árvores encontradas no Rio de Janeiro:

Monjolo: Vermelho e branco.
Imbaúba: Amarela e branca.
Arapassu: Vermelho esverdeado.

Maçaranduba: O mesmo que aparaju.
Araribá: Vermelho carregado e cor de rosa.

Guarataia: Amarela clara e branca.
Catuaba: Amarela e cor de rosa.
Araçá: Preto e esbranquiçado.
Goiaba: Preto e esbranquiçado
Jequitibá: Rosado e esbranquiçado.
Caixeta: Amarela e branca.
Guaritá: Amarela e branca.
Angelim: Amarela e branca.
Caingá: Amarelo.
Guanandi: Amarelo e esbranquiçado.
Cabuí: Amarelo e esbranquiçado.
Genipapo: Amarelo e branco.
Genipapuna: Cor de café.
Pau-para-tudo: Amarelo e branco.
Leiteira: Amarela e branca.
Ubatinga: Parda.
Caparrosa: Amarela.
Milho-cozido: Amarela.
Grumichama: Amarelo e branco.
Bacupari: Amarelo e branco.
Aroeira: Amarela e branca.
Maracanaiba: Cor de rosa.
Tachi: Branco.
Pau-sangue: Branco.
Pau-mudo: Amarelo.
Cascudo: Amarelo.
Araticum: Amarelo e vermelho.

Aderno: Vermelho, amarelo e preto.

(Extraído de RIBEYROLLES, Charles. Brasil pitoresco.)


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