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O boi
Surubim Nasceu um bezerro macho No curral da Independência, Filho de uma vaca mansa Por nome de Paciência. Quando Surubim nasceu Na porteira do curral Na praça da cacimba Um relho de duas braças, Fui passando num sobrado, "Guarde seu dinheiro, dona, "Este é o meu boi Surubim Corre dentro, corre fora, Quando Surubim morreu, |
Pelas recordações que deixou no sertão de quatro estados creio que o romance do Boi Surubim foi um dos mais antigos e dos mais cantados. Ouvi-lhe cantar apenas trechos, numa solfa linda que guardei, (Vaqueiros e Cantadores, p. 82). A estória propiamente dita desapareceu e restam as alegorias, comparações do tamanho desmesurado do animal e sua maravilhosa divisão. Os nordestinos emigrados levaram o Boi Surubim para o sul, centro e extremo norte do país. Americano do Brasil registrou-o em Goiás. (Cancioneiro de trovas do Brasil, Décima do Boi, p.176). Ainda em 1910, no sertão oeste do Rio Grande do Norte, meus tios e primos, todos vaqueiros, diziam, referindo-se à segurança de uma cerca entrançada: - Aqui não se passa nem o Boi Surubim... E o Boi Surubim vivera cem anos antes. Celso de Magalhães no seu último artigo no Trabalho, Recife, agosto de 1873, cita o romance do Surubim, numa quadra expressiva:
(Nota de Luís da Câmara Cascudo in ROMERO, Sílvio. Cantos Populares do Brasil, t.1). |
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